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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amizade na floresta

Gente vou contar uma proeza das antigas hoje.

Antigamente(nossa que véia que eu to!) a galera costumava ir muito ao autódromo(antes daquilo vira uma baragerisse total), e numa dessas festinhas que teve La foi um dos piores balaços que já tomei.

Chegamos La em torno das oito da noite, tava eu uma amiga aqui apelidada de ‘encantadora de árvores’(mais pra frente vocês entenderão o apelido), e outra amiga que estava com o namorado. Levamos um litro de smirnoff, pra da uma esquentada, que secou na primeira hora que estávamos La, então decidimos partir para o capeta (é docinho, não pega, haram Claudia).

La foi eu e a encantadora de arvores pegar a primeira rodada, o cara da barraquinha pediu se agente queria médio ou grande, óbvio, o maior que tem, um pra cada uma.

Pra quem já foi no autódromo (duvido quem nunca foi), o som estava rolando La embaixo nos boxes, mas tinha uma galera que ficava concentrada mais La pra cima. Festa vai, festa vem, um capeta, dois capetas, três capetas (depois daí perdi as contas), sem conta as cervejas que volta e meia dávamos umas bicadas, eu e a encantadora de árvores, resolvemos subir pra ver como que tava a festa La pra cima.

Até ai tudo bem, subimos, ficamos La um pouco, o problema foi na hora de descer, ai que agente viu que a cachaça pego. As duas de tamanco plataforma naquelas pedreiras, no balaço, gente aquela estrada parecia que tinha triplicado de comprimento, cada pouco que agente andava, parávamos um pouco, olhava pra trás não tinha dado nem um cinco passos.

Foi um tempo assim até que minha amiga “empaco” na beira da estrada, e não queria mais descer, e eu dizia “vamos amiga agente ta quase chegando” e ela me dizia, “não vou mais! to aqui conversando você não ta vendo!”, detalhe ela estava em altas conversas com uma árvore que tinha na beira da estrada, e não tinha jeito de convence ela que a árvore não era uma pessoa, já tinha contado a vida inteira pra coitada da árvore.

Chegaram alguns amigos nossos que estavam vendo a situação de longe e tentaram convencer ela a ir pra festa, mas não tinha jeito. Até que chegou a salvação, minha outra amiga e o namorado estavam dando uma volta de carro e passando por ali viram a situação e carregaram a encantadora pra dentro do carro.

Na vinda pra casa mais uma proeza, ficamos sabendo que ia ter blitz no caminho, mas estava tudo certo, porque agente conhecia um atalho! Atalho esse que acabo chegando La perto da fazenda zandavali quase em águas.

Mas no fim acabou tudo bem, chegamos salvos em casa e na manhã seguinte acordei olhei pra fora e tive uma visão que não me deixava esquecer do dia anterior: um copo de capeta caído no meio do asfalto na frente de casa .

Ooooo balaçoo eimmm.

Foi feia a dor de cabeça no outro dia, mas valeu a pena pelas risadas.

Vlw e até o próximo post.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fervo na Visão de um Piazão

     Nas várias noitadas que fiz por aí, meus ouvidos foram "acariciados" com muitos termos e expressões que com certeza vocês também já ouviram. É claro que muitas pérolas foram excepcionais, enquanto outras chegaram até a virar modinha. Não é a toa que no blog frequentemente nos deparamos com "que bença", "vo froxo", e assim por diante. A mais nova onda do momento é "que beleza, isso que é bunitooo!". E com certeza muitas passaram e milhares de outras estão por vir. Usar alguns termos e expressões divertidas com certeza deixa a conversa mais engraçada e descontraída!




     Mas é claro que tudo tem um limite! O problema é quando a conversa TODA gira em torno das gírias - com o perdão do trocadilho. Pensando nisso resolvi descrever um fim de semana na visão de um piazão de bairro. Com certeza tem muita gente que fala assim, ou até pior... vamo lá então magnata, continua lendo ai bródi!

      Um Findi com Auts Fervo!



     Eu so um mano cento por cento tá ligado mano! Comigo é bala na agúia! Escreveu não leu o pau comeu irmão! Sexta-feira de tarde, e eu lá no trampo dando um nó na chefia. Ele chega cheio nas panca comigo, e eu já do no meio. Esse negócio de trampa na sabaderia comigo não rola. Já meti um 171 que tinha umas parada pra faze e peguei uma forga. No embalo da parada já meti né véio: "pô magnata, descola um vale ai de 50 pila que to apertadote ai". Ele reino um poko mas me jogo um cheque nos peito. Matemo a pau, agora é só se boleá pro fervo!

     Seis hora não quiz nem sabe né mano, atirei as ferramenta e dei uma de pneu furado, vazei do trampo. Já bati um fio pro Bronha e disse: "O ermaun, chega de peão rapá, na noitada nós semo memo é patrão!". Confirmei com ele e se boliemo pro Bar do Alemão. Creim, filemo auts ovo de codorna com espetinho de pexe e já desaforei ele na sinuca. Dei um capote que dexei o Bronha cas sete bola na mesa. Meti uma pressão na aposta e barganhei 5 mango. O arrego mesmo foi que ganhemo mais 30 no truco duns coroa que quiseram dá uma de malandro. Pra cima de nós não né loko!

     Perto da noite sartemo da bodega e fui pra baia bebe um bano. Meti autas beca e sai nas pampa pro estoro. O fervo no prolonga da avenida ia se forte. Foda que os porco prenderam minha jóinha (uma CG 86), dai meti uma pressão pro Bronha sai de chevetera. Tá com tudo os documento no rolo, mas não muda nada, vintão de gasolina nos peito e ele fico mais loko que o padre do balão. Já meti dez pila de crédito na apareiage pra liga pras tilanga e vamo dale pau. O Bronha já saiu carçado. Se os loko do Quedas pula em nós temo um Berro e um facão moquiado no porta mala. Os nego de lá tão na pira com nóis por causa duns rolo que deu, má mais pau, se vierem pra cima rodeio o umbigo deles a bala.

     Creim, peguei a Chevetera do Bronha pra dá umas banda porque ele não tem cartera, e já dei uns valo bem loko. Fiz a chevetera arreta as curva. Passemo nos alpes uns prayboy já quiserem tira nóis pra bobo. Já mandei me pularem. Como são rosca froxa saíram de perto. Foda que numas altura da night acabo o garrafão de vinho que guentei do véio, e nóis ainda nem tava no briio. Já propostieu o Bronha pra compra mais gole nas cumba. Certeza né, porque em sucia sai tudo na faixa, e quem tem fio barbado é jundiá e gato. Matemo a pau, descemo na bodega e compremo um kit pancadão a 9,90. Auts arrego, veio gelo, o gole e mais um litro de egisnético. Pense num baguio massa pra caraio.

     Metemo um prolonga. Pense num baguio bombando. Falei pro Bronha: "Creim loko, aqui nóis dominemo... vamo ferve tá ligado!". Encostemo a chevetera do lado de umas loka, ma pense numas granada. Dançavam auts bem. Do otro lado da rua vi minha eis se passando com uns loko. Auts bola de fogo aquela loka. Depois que trancaram o véio dela viro uma tranquera. O Bronha tava a fim de dá um vazari, mas falei pra ele: "se mate loko, se nós sarta daki é certo que ela vai me chama de maguado, vam ofica aqui e vamo ferve o Ki-Suco, mais pau!".

     Nisso faço uma dose do kit pancadão e as loka já se ligaram na fita. Uma loka já fico me cuidando, e vi que a otra falo: "creim cos loko, tomando auts gole". Já fiquemo de pé na patrola. Meti uma pressão e já se enturmemo. Autas moral com as loka. Puxei o papo com a mais gata: "e ai mina, te curti pra caraio, faz tempo que tão na banda?". E ela meteu: "creim loko, temo aqui bufando desde as cinco da tarde". Pensei comigo, aqui já fexo o brike. Dei mais uma tentiada nas otras, mas a loirinha que tava me encarando o Bronha tava cercando, dai deixei quieto. Chamei ele de canto e disse: "loko, vamo fexa a parceria e dá uma banda com as tiliquinhas pra rola um eskemão. Na hora! Foda que a chevetera tava com a sonzera ligada tá ligado, dai tivemo que mete a parceria com uns piazão pra faze pega no tranco.... auts pira!

     Nessas hora o kit pancadão já tinha entrado na mente, daí resolvemo parti pra cima das gata. Peguemo as loka e levemo num lugar moquiado que eu e o Bronha descobrimo, daí só alegria o resto da noite. Na finalera ainda filamo um dogão as meia e detonamo o kit pancadão. O Bronha ainda queria mete parceria pra entra no Tradição, ma eu falei: "creim loko, to morto a pau, vo dá uma de dente podre e vo cai da boca!". Ele tava bem loko e se bolio. Dai que fui vê que tava sem paia, gastemo tudo no ferno, ma também, bufemo memo! Faze o que, pelo menos cozinhemo a noite intera. Fizemo auts moral com as gata. Meti som do Rauzera no celular e dei um pernaço até na baia. Ia conta na parceria sobre o resto do final de semana, ma no sábado que ia mete um bailão fui vê tava quebrado. Dai fiquei de boa na lagoa moquiado em casa. Que nada, ainda bem que segunda feira é dia 10 e o salário tá na faixa! Dai sim, mais pau!



     Sabem que escrevendo dessa forma acabo percebendo que meu "espírito barrageiro" aflora? Assumindo esse personagem confirmo a teoria que o que mudam são apenas os personagens e o custo da noitada. A canalhice e´a mesma pra todo mundo. Elogios quanto à corretude da escrita serão bem vindos! :D

     Que beleza! Isso que é bunito!

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terça-feira, 2 de março de 2010

Contravenções Canalhas

     Minhas arma... começo esse post com essa afirmação forte, e que retrata de forma clara como foi o fim de semana da canalhada. Impressionante como o tempo tem o dom de passar ligeiro quando você quer que ele passe mais devagar, enfim, entenderam minha linha de raciocínio né?

     Mas indo direto ao ponto, tenho uma denúncia pra fazer. Sim, tenho imagens! Meliantes canalhas acabaram por cometer sérias contravenções no fim de noite de sábado. Olha o sangue ali! Põe na tela Pikachu! Põe na tela! A imagem do suspeito responsável por comandar a quadrilha você vê com exclusividade aqui no blog. Isso sim é jornalismo amigo!


     Leia essa matéria de reportagem investigativa na íntegra...



     Era sábado de noite, dia de ficar com a família, comer pizza, ver filme e dormir de barriga cheia. Mas não, alguns meliantes optaram por perturbar o sussego público! Reunidos em bando num evento "formaturístico" da cidade, se deixaram influenciar pelo popular bandido procurado pela polícia que usa o codinome Johnnie. Esse meliante de passado negro já está a doze anos caminhando pela cidade (entenderam o trocadilho? Caso não, explico no final) induzindo pessoas a cometerem delitos. Crimes que vão desde simples manobras automobilísticas sobre calçadas, pequenos furtos e até mesmo estupro amigo! Olha lá o sangue!

     Se você tem alguma pista de onde ele possa se encontrar, não deixe de avisar a central de jornalismo investigativo do blog. Misteriosamente ele some e faz uma lavagem cerebral nos integrantes da sua quadrilha. No outro dia a polícia tentou interrogar alguns dos membros mas todos afirmaram que não lembravam de nada. Um deles, ainda visivelmente com tonturas e vertigens, afirma ter caído no golpe da "Boa Noite Cinderela". O outro diz que viajou no tempo, estava em duas formaturas ao mesmo tempo. o outro afirma ter sido seduzido por uma golpista que o sequestrou. Enfim, o que acontece na noite, só estando na noite pra presenciar, e até mesmo pra acreditar. Minhas arma...


Trocadilho: Johnnie. Esse meliante de passado negro já está a doze anos caminhando pela cidade = Johnnie Walker Black Label 12 Years = Ráaaaaaaaaaaaaa!



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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mulheres e Cerveja

     Domingo a tarde, canalhada se preparando para prestigiar o jogo do verdão, quando alguns minutos antes de migrar para o estádio ouvimos a seguinte notícia no rádio: “hoje o torcedor não vai poder tomar a sua cervejinha porque a CBF proíbe a venda em jogos do campeonato brasileiro”. Como assim? Nada de molhar a palavra pra elogiar o árbitro? Que ferro! E se nós ficássemos aqui jogando truco, tomando cerveja e ouvindo o jogo? Decisão consensual...


(Outra imagem pra animar a segunda-feira)

     Cervejas adquiridas, montamos a mesa do carteado no canteiro e vamos ao desafio. De prontidão a irmã de um dos canalhas encubida da logística: anotar o placar, buscar cerveja e dar risada das piadinhas machistas sem graça. Tudo certo para um domingão a tarde pós baile da cuba onde a caixa preta de alguns foi perdida. Mas falamos sobre o baile outro dia, com uma versão dos canalhas e outra das canalhas, ou não meninas? Mas voltando ao carteado...

     Só sei que a certa altura do campeonato canalha pé de lancha puxou seu tênis e golpeou duramente a mesa na pedida de truco. Como as leis da física são precisas, a força do impacto quebrou a resistência da madeira, a qual lascou em dois pedaços (explanação técnica para o termo "quebrou a mesa"). Depois disso foram 30 minutos onde os canalhas bêbados tentavam consertar a mesa. Aquele martelo era um perigo.
     Enquanto estávamos empenhados no conserto pedimos a nobre jovem que buscasse mais uma cerveja e enchesse os nossos copos. Nesse momento a foto do post está explicada. O copo da esquerda foi cheio por ela (e olha que estava trincando de gelada). Ao ver o garrancho, canalha pé de lancha gritou: “mulher, deixa eu te ensinar a encher um copo de cerveja”. O resultado é apresentado no copo da direita. Vocês podem ver claramente a diferença entre um homem e uma mulher em relação ao ato de servir o líquido dourado. A não ser que você seja o um por cento que aprecia "pupuma", é necessário que tire o chapéu para um canalha. Este é mestre na arte de “calibrar o gole”.
     Pra fechar todas no fim de semana, uma rodada de pôquer acompanhada de um churrasco. Em relação a este devemos tirar o chapéu para a jovem "aprendiz de servidora de cerveja". Além de preparar os petiscos teve a feliz idéia de elaborar sanduíches com, além da carne, uma fatia de queijo e um pouco de maionese, que bença! Pra quem não conhece a origem do sanduíche, veio justamente de um conde chamado “Sandwich”, que comia pedaços de carne no meio de dois pedaços de pão enquanto continuava com os intermináveis jogos de baralho. Que coincidência não?

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terça-feira, 7 de julho de 2009

O Sonho de Todo o Canalha

     Deixando de lado um pouco o tema festa/mulherada/canalhice, hoje vou escrever sobre um sonho de todo o bom canalha: a aquisição do veículo próprio. Esse é um momento especial, o qual marca nossas vidas para sempre. A compra, o orgulho, e até a primeira abastecida você nunca esquece. Pega o carro, deixa ele na ponta dos cascos e está pronto para rumar à felicidade. Chame como quiser: minha lasanha, minha bolinha de ferrugem, sinistrado, minha casca, cadeira de roda, ou mesmo capsula do amor, ele é seu carro e ponto final. Vamos a minha história...
     Estava quase com 19 anos. Meu pai chega para mim e diz: “quanto dinheiro você tem guardado?”. Não chegava a 2 mil, mas a idéia de comprar um chevette não saia da minha cabeça - e atormentava a cabeça do meu pai. Para mim, um "chevectra" era perfeito pra sair “dar uma banda na city”. Então meu pai comentou sobre uma dívida que um cara tinha com ele, e que queria dar um fusca como parte do pagamento...



     A cor do fusca era marrom feijão carioca, a lataria estava mais ou menos, e o interior, bom, parecia uma cama de gato: sujo, bancos rasgados, etc. Meu pai me olhava esperando a decisão. Aí pensei, pensei, pensei… tudo bem, posso até ficar com o fusca marrom, desde que possa fazer uma reforma nele. Meu pai aceitou de imediato, pois mesmo com o custo da chapeação, ainda seria vantagem, pois não haveria outra forma dele receber o dinheiro.
     Na verdade antes deste fusca, o cara ofereceu outro (sim, o cara devia gostar de fusca mesmo). Era um fusca azul metálico, bonitão, mas como desgraça pouca é bobagem, o motor tava pela hora da morte. Fiquei com ele um fim de semana, aliás, que fim de semana! Na sexta sai dar uma banda com um amigo, e tivemos que empurrar o fuscão por umas 5 quadras até que num descuido o pneu passou por cima do pé do meu amigo e, ao perdermos as forças, deixamos o carro dar “uma encostadinha” numa cerca. No sábado pela manhã o mecânico afirmou convicto: “troquei a bobina rapaz, agora o fuscão tá novo”. Doce ilusão… aquela afirmação fez eu passar a tarde inteira polindo o fusca pra ir num casamento de uma amiga. Que orgulho! Ir de fuscão todo style de terno e gravata! Faltando uns 500 metros para chegar ao salão, o carro apagou na subida, e nada de pegar novamente… cheguei no casamento "um pouco" suado, e por falar em casamento, esse foi o fim do casamento com o fusca azul metálico.
     Voltando ao fusca marrom, hora de ir mostrar ao chapeador o milagre que ele teria que operar. Convidei o mesmo amigo (o coitado tava com um pé atrás… e o outro machucado) para ir junto. O motor daquele fusca estava bom, 1300, ano 80, top de linha. O chapeador orçou, fechamos o negócio e o serviço começou. Nunca pensei que visitaria tanto uma chapeação na minha vida. De início uma lista enorme de peças a adquirir: borrachas, frisos, parachoques, estofamento, etc, etc, etc. Depois escolher a cor: horas de pesquisa na internet, até que decidi fazer uma pintura estilo “saia e blusa”, com um beje claro com branco. Não me arrependi. Após alguns meses de visitas incansáveis a meu amigo (sim, pois já tava amigão do chapeador), o trabalho ficou pronto. Pena não ter tirado uma foto do fusca antes pra fazer a comparação. O resultado final é esse aí:



     Bom, o fusca ficou prontinho, agora era só andar e ser feliz. Na verdade não era bem isso, afinal de contas tinha gasto tudo e mais um pouco com “despesas extras” na chapeação, e até o dinheiro pra gasolina tava curto. Mas tudo bem, sempre dava pra coloca “deizão” pra anda no sábado de noite, falando orgulhoso pro frentista: “Se vê que começar a derramar pare!”. Com certeza ganhei muitos elogios ao carro, pois modéstia parte ficou show de bola: pintura saia e blusa, rodas esportivas, portas abriam no controle, interior todo ajeitado, etc, só mesmo o motor era original 1300.
     Foram muitos cavalos de pau, festas, voltinhas pela cidade, idas até a EPAGRI e viagens… sim, viagens, um dos motivos do meu desafeto pelo carro. Com o passar do tempo alguns probleminhas foram aparecendo, aqueles que só o dono do carro consegue ver: um risco na pintura aqui, um amassadinho ali, um leve cheiro de gasolina, abertura da portas com problema… e o motor, infelizmente, entregando os pontos.
     Carnaval de 2005, 40km de viagem até Águas de Chapecó. Eu todo empolgadão, meu fusca e a bagagem (colchão, caixa de cerveja, mochilas e um ventilador) no banco traseiro. No trajeto, 20 km só de subida. Nunca uma viagem foi tão longa. Em certos momentos o marcador estava em 20km/h e baixando… um calor infernal, Eu respirava com muita calma, dando risada pra não chorar, e o inesperado aconteceu: uma Honda Biz 100 cilindradas acrescida de caroneiro e bagagem me podando. Inaceitável para o ego de qualquer motorista canalha, esse fato me fez desabafar: “Acho que é hora de trocar o fusca por um carro um pouco melhor!”.
     Uns 40 minutos depois disso chegamos no carnaval, e para ratificar minha decisão, ainda dei “uma encostadinha” no para-lama do fusca. Decisão tomada, hora de nos separarmos. Alguns meses depois vendi-o, e parece que não ficou muito tempo nas mãos de outro dono. De tempos em tempos passo em frente a uma garagem e lá está ele: faróis baixos, olhando tristemente para o ex-dono responsável pela reforma.
     Foi um tempo bom, muito bom, não me arrependo nem um pouco, e quando puder, compro ele e guardo como relíquia dos primórdios da canalhice... E você, qual a história da sua bolinha de ferrugem?

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Gata dos Sonhos - Parte Final

     Em comemoração à 100ª postagem do blog, nada melhor que o capítulo final da nossa bela história, que a cada linha esquenta mais e mais. Se você não leu as anteriores, não deixe de conferir A Gata dos Sonhos - Parte I e II. Com certeza foi um sucesso de bilheteria.
     Mas vamos aos fatos. Após o nosso nobre amigo canalha conquistador pé de chinelo convidar a gata pra sair, dar umas voltas, entrar na mente e por aí a fora, eis a hora crucial. Assim como eu, com certeza você também deve se identificar com uma ou outra coisa dessa história. Antes de ler esse post, vai aí um amendoim? Heheheheheh.

Vamos a ela...

     Sugeri, meio sem jeito, colocarmos no canal pornô... Sei que vocês devem achar que sou um tarado pervertido, mas é que estava com vergonha, aquela gata lá do meu lado, e eu todo tímido, afinal mulher descente a gente trata com todo o respeito. Enfim, coloquei no canal pornô. O que é um canal pornô de motel? Aquela mulher com a bunda que parece rosto de adolescente. Só pode que recrutam as “atrizes” num puteiro. E o ator? Por que sempre têm que colocar um ator carioca? – vai gosssstósaaa! Safadaaaa!!! – script de filme pornô é sensacional. Nem o melhor do Stand-up comedy faz a gente dar tanta risada, é claro, depois de ter feito o serviço! Imaginem se o ator fosse mineiro: - Ó gentii, vai qui ta baun demais da conta sô! – Ou então um baiano: oh minha nega, vai um bucadinho mais rápido, mas não muito! – ou um gaúcho: mas bah tchê, que prenda mais formosa, pode chupar que a manga é doce! Não bote o dedo lá que me derreto! – brincadeiras a parte, o ator do filme pornô era afro-americano, e conforme reza a lenda, muito bem servido de membro.
     Sabem aquelas mortadelas? Pois é... e foi nesse momento que minha gata meiga, perfeita, se revelou. Ela puxou o ar do fundo dos pulmões e exclamou: “Meu, que cacetão!”... Nesse instante, lembro como se fosse hoje, todo meu conto de fadas (que gay isso) caiu por terra. Percebi que minha gata não era aquela meiguice toda! Então sem perder tempo fui com tudo (tu me paga sua cachorra), deixando de lado toda aquela boiolice de ir com calma. Caprichei nas preliminares... um minuto depois estava com a camisinha na mão. Que ato! Mais um minuto depois estava no banheiro dando uma limpada no bicho véio...e, pro espanto de vocês, limpando na pia! (quem aqui nunca utilizou uma pia amigo?).
     Voltei logo, afinal de contas sabe como é... aquele intervalo de 3 minutos onde o membro continua ali... cutucando o umbigo! Lá estava a ex-moça de ar angelical, agora aquela cachorra... depois do primeiro minuto de prazer, fui iniciar o segundo tempo. Aproveitando-se da, digamos assim, alegria do MiniToy, hora de colocar o segundo preservativo. Bem que poderia vir estampado: este lado para cima! Isso ajudaria muito! Puxa daqui, desenrola de lá, e nada de conseguir vestir a caneleira. Nesses 20 segundos de dificuldade técnicas (deveria ter lido aquele manual do postinho de saúde), o fator psicológico pegou: paumolescência! (só pode que a psicologia tem uma explicação para isso, daria uma tese de doutorado: A dificuldade de colocar preservativos e seu reflexo na ereção).
     Que situação... bate o nervoso, o cara fica sem jeito, confusão mental, onde mesmo eu coloquei a minha forca portátil? Ainda bem que nesse momento as meninas são “bastante” solidárias: umas permanecem totalmente imóveis, outras dão risada e, as mais megeras, fazem uma carinha de queridas (deboche na verdade) e dizem: “isso acontece bem”. Poxa vida, será que não ta escrito na nossa cara? Paga um vai! Minha gata até que se comportou bem... me puxou ao lado dela e foi acariciando levemente o júnior. Nesse momento meti meu diálogo de Dom Juan do Bairrão. Aquelas palavras lindas que a censura me proíbe de dizer seguidas de um breve fluxo sanguíneo nas partes baixas fizeram o mastro enrijecer (sim, também tirei esse trecho de um filme brasileiro de pornochanchada). Meus amigos, nesse intervalo de 15 segundos seja rápido! Ou vai ou racha! Pra minha alegria foi. A terceira camisinha foi conivente com meu sofrimento e não impôs dificuldades! Uauuuu! Sexo Nissin-Miojo (3 minutinhos tá prontinho). Senti que a gata chegou próxima ao Nirvana. Que performance a minha! Vai ver é por isso que me chamam de o coelhinho reprodutor!
     Ato consumado, merecia meu prêmio: Uma cerveja preta bem gelada! Nesse momento ela me pede: - Posso tomar uma keep cooler amrozinho? - o primeiro gole de cerveja que acabava de adentrar pelo esôfago quase tomou o caminho dos pulmões! - Tomar o que? Ta de palhaçada comigo né? – falei em alto e bom som pra mim mesmo. Machão que sou respondi: – Claro que pode, de maça ou de pêssego linda? – isso é o cúmulo da cafagestice mesmo! Ela respondeu: – Não tem de morango? Pêssego eu já enjoei! – Parááááááá! – Novamente frase errada na hora errada, mas tudo bem, garrancho já feito, vamos então rumo ao garrancho perfeito. Logo no segundo gole de cerveja preta, vendo aquela loka tomar keep cooler (alguma vez eu falei ar angelical? Era mentira), me veio um relapso de pensamento: finanças...
     Os míseros 17 reais, com sorte somados a uns 2 reais de moeda dentro do carro, não dariam nem pra pagar as “keepi” da moça. Contabilidade no vermelho (menos mal que não era a jovem), fui tomar uma ducha (que fresco) para renovar a batiria! Nesse momento tive um pensamento iluminado: meu cartão de crédito universitário! Adoro o capitalismo moderno! Solucionado o problema do pagamento, me deparei com aquele sabonete mais jaguara de todos: pequenino, quadrado, duro, áspero, sem cheiro, não faz espuma e, se bobear, ainda custa 1 real! Nos meus pés a havaiana surrada! Que charme! Enfim, vamos voltar para minha “princesa”. Lá estava ela, nua e crua. Poxa, depois de duas tudo o que eu queria ver era ela de calcinha, pelo menos pra tentar um novo clímax! Mas nada, lá, estirada, pior que galinha atropelada (tudo bem, eu sei que é culpa da minha performance, devia ter sido mais breve).
     Nesse momento, nesse exato momento, e lembro como se fosse hoje, começa a tocar o CD do Amado Batista, uma coisa que me estimulou de uma maneira fascinante! Lembro da letra daquela música: “Eu era lixeiro, você empregada, a gente se olhava e se encontrava na mesma calçada” (típico amor de bairrão... o cara na correria catando lixo e a Jovem com seu Derby na boca dando uma enxaguada na calçada). Nem vou comentar sobre a terceira empreitada. Uma jornada de incríveis, impressionantes 12 minutos! Um fato épico para o homem garanhão dos tempos modernos!
     Fato consumado, com oscilações de dureza entre 95% e 15% (poxa vida, era a terceirinha), surge uma dúvida cruel: porque as mulheres não se tocam, se vestem, entram no carro e ficam prontinhas pra ir embora? O homem pós sexo é que nem miojo: 3 minutos tá pronto. A mulher ta mais pra churrasco: demora e tu não vê a hora que fique pronto! Enfim, até o cabelo eu já tinha arrumado e a mejera tava lá, lendo um cartazinho com figuras de acessórios íntimos! Será que depois de toda a satisfação que eu lhe proporcionei ela ainda conseguia pensar nisso? Acho muito difícil. Mas ainda bem que ela se tocou, foi só ligar o carro e dizer que ia abrir o portão que ela começou a se vestir.
     Hora de pagar e ir embora... Não tinha outro momento pro motoqueiro com a gorda na garupa sair? Justo na minha frente? Ninguém merece! Pelo menos ele atropelou a anta e comeu, senão iria denunciá-lo ao IBAMA! No momento de pagar, aguardei a facada: senhor, são 30 reais... 30 conto? Exclamei um pouco alto de mais (era só pra eu ouvir). Senhor, 15 do horário, 6 de 4 preservativos, 4 de uma keep cooler, 3 de uma cerveja e 2 reais de um choquito. Puta merda, em que parte da história mesmo eu falei sobre... um choquito? Nisso escuto aquela voz que adentrou na parte mais profunda do meu cérebro: "Adóoooroooo Choquito!". Cara, é nessas horas que sou a favor da campanha do desarmamento. O Capitão Nascimento teria dito: Vou enfiar esse choquito na sua bunda! Pede pra saí, pede pra saí! Mas enfim, todo mala estendi meu cartão de crédito universitário com limite de R$100 imponente e disse: crédito! Um instante de silêncio e escuto uma notícia trágica: Não estamos aceitando cartão de crédito senhor! (o gerúndio que vai dominar o mundo). Pensei comigo, pensei mais um pouco e: agora fui eu que me fudi! Se foi o boi com a corda! Caiu a casa! Agora ferrou! Puxei os 17 reais e contei, fingindo que não sabia da gauchada! Não acredito, 17 pila e deixei o cartão de débito em casa, vou ter que pedir pra por na conta! – sim, nesse momento é preciso ser frio e calculista para fazer uma piadinha... tudo bem que ela pensou: Ihhh, ta quebrado hein! Pelo menos é bom de cama, uma máquina sexual! – Aí ela disse: “Tudo bem, eu tenho dinheiro aqui, te ajudo a pagar”.
     Nesse momento tomei um tapa de luva! A jovem me puxa um emaranhado de notas de R$50 e R$100 que me deixaram arrasado – "só pode que, ou recebeu hoje ou retirou o fundo de garantia" – meu lado malicioso pensou no momento. Gorpiei R$50 da moça e paguei a conta pra acabar com o sofrimento! Abriram-se as portas da esperança (ou da liberdade, como preferirem). Com aquele sorriso amarelo verde-limão falei: "você é o cara, como percebeu que sou um quebrado tenho que te devolver essa grana em serviços sexuais..." ela riu – não sei se foi por educação ou se pensou que meus serviços sexuais eram ruins, e o silêncio perdurou nos 20 minutos restantes até deixá-la em casa. Nesse tempo pensei em várias coisas, mas a frase que mais se repetiu na minha mente foi: filha da puta! filha da puta! filha da puta! Mas até que esse mantra me distraiu.
     Tanto que parei na frente da casa errada na hora da despedida – tudo bem, fiz tudo conforme o script e a partir dos 40 do segundo tempo só bobagem! É amigo, acontece! Mas não é somente apenas isso, casa certa, carro desligado e... a jovem não descia! Porque cargas d’água a mulher fica ali, no carro, puxando as conversas mais idiotas e sem sentido da história? Só pode que ta esperando o buquê de flores que ta no porta luvas ou uma proposta de namoro. Nenhuma das duas coisas vai acontecer. Depois de um monte de ameaças “ta bom, vou entrar”, e indiretas diretas da minha parte “ai ai que sono”, “amanhã o trabalho vai ser puxado” mesmo estando em férias, etc, ela saiu, com o arrematador “me liga!!!”.
     Fim de jogo, atleta cansado, hora da volta solitária do bairrão da princesa até minha nobre morada. Silêncio total, vidro aberto pra dar um ar pra cabeça, literalmente, e garranchos à parte, o ar de vencedor: matei a pau! Carro guardado, banho tomado (ta, eu não tomei banho), o berço me espera. Conforme o pedido, vou tentar sonhar com ela (juro que sim). Agora é só esperar amanhecer o dia para contar a canalhice pra toda a galera! Fato consumado!


     E com esse desfecho, essa é a história da Gata dos Sonhos... pode acontecer comigo, ou com você, quer apostar? Quem gostou comenta!

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Canalha sem Coração

     Se existe uma coisa que um bom canalha gosta é sair por aí com os amigos e, de posse de uma saudosa gelada na mão, ficar observando os fatos que acontecem ao seu redor. O cara vai lá, e quando não tem nada pra fazer fica tipo um ás de paus na frente da “convivência” do posto. Nesse espaço de tempo muitas análises e comentários são deferidas, e todas elas acatadas pelo restante dos canalhas.
     Todo mundo comenta sobre todo mundo, uma jovem bem apessoada ganha um comentário de destaque, que bença, um mirim mal vestido resulta em uma cara de reprovação, uma garrancho automobilístico feito por algum piloto do Paraguai gera comentários de reprovação, enfim, tudo é motivo de graça, que nem o Parizotto...

     Diante de todo esse bombardeio de comentários, existe uma categoria que já rendeu inúmeras risadas: os comentários de um canalha sem coração! Já adianto que este canalha é um baita parceiro, e nem de longe fala as coisas por maldade. Mas o modo que ele se expressa é totalmente cômico, e já renderam excelentes risadas!
PRIMEIRO COMENTÁRIO: Acabamos de degustar a saideira e já íamos rumando a algum baile nas redondezas. Ao se dirigir para o auto passamos por um bolinho onde estavam três guris, sendo um deles cadeirante, e mais uma bela jovem. Nesse momento meu instinto canalha se manifestou: “Bah cara, olha só que gata aquela guria ali!”. E o Canalha sem coração: “sim, é a fulana, muito linda, e pior que namora com aquele “alejado” ali”. Nesse momento as sucessivas gargalhadas foram inevitáveis. E ele: “Que que deu home?”. E eu: “Mas home, aleijado é foda!”. E ele: sim loko, não sei o que ela viu naquele “alejado”!. Tudo bem, não usou o termo no sentido pejorativo, mas que teve um toque de humor negro, isso teve.
SEGUNDO COMENTÁRIO: Outra ocasião todos voltavam de um badalado show na EFAPI, e ao descer pela escada da concha acústica um de nossos amigos que tem problema em uma das pernas, ligeiramente embriagado, acabou errando os degraus e caiu um belo tempo (machucou a mão e tudo mais). No outro dia estávamos reunidos comentando sobre o evento, quando um canalha exclamou: “mexaria gurizada, vocês viram o tombão que o fulano caiu? Desceu as escadas rolando!”. Mais que sem pressa o canalha sem coração exclama: “Mas também home, beudo do jeito que nós tava até eu que tenho as perna boa quase caí, imagine ele!”. Pronto, motivo de risada entre todos os integrantes da roda...
     Talvez escrevendo não fique tão cômico, mas pra quem presenciou foi muito hilário! Esse é o canalha sem coração, estilo rude, campeiro, mais grosso que pescoço de sapo, dois porco abraçado, baleia dobrada... enfim, um baita dum gaudério!

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Canalhice das Antigas: Nas Bailantas do Interior

     Talvez você meu nobre amigo ou minha nobre amiga canalha tenha passado aqui pelo blog e “estralado o zóio” tamanhas as canalhices que leu no pouco tempo que conseguiu permanecer neste humilde blog. Porém, é fato que as histórias ocorridas e relatadas não são as primeiras e nem serão as últimas que aconteceram nessa vida. A canalhice perdura de longa data.

     Como já disse em outros posts, a canalhice é a mesma, só mudam os personagens. E no almoço de domingo pude comprovar este fato. Um parente meu de mais idade se empolgou com uma história que contei, e resolveu relatar algumas passagens “do tempo dele”. Pela idade e descontando a idade de sua adolescência, calculo que foi lá pela década de 1960. Unida a essa história relato mais alguns “causos” do pessoal das antigas que escutei numa cancha de bocha após a velharada tomar umas e outras...

     A história contada pelo parente: Antigamente os bailes ocorriam em salões de madeira, geralmente na casa de algum anfitrião que organizava a bailanta. Nada de sonzera alta, luz, fumaça e essas paiaçada aí que mais atrapalham que ajudam. Era um gaitero e um violero empolgados e dele que dele. A turma desse canalha parente se reunia no canto do salão e simulava um início de briga. Paralelo a isso outros dois saiam para fora e “desarmavam” a estrutura da escada. Ao ver o pseudo quebra-pau, a juventude migrava afoita para fora do salão. Os brigões, bem, esses corriam observar nas janelas.
     Nesse momento era só neguinho voando e caindo tombos fenomenais... não satisfeitos com isso, corriam até a patente, uma estrutura de madeira com um buraco embaixo onde o pessoal fazia as necessidades, e deslocavam a mesma um passo para trás. Assim, quando o canalha caminhava meio bêbado para tirar uma água do joelho, caia contudo na buraco, geralmente com mais de um metro de uma mistura perfumada de urina e fezes. E achar talco pra tirar o cheiro! O negócio era ir pra casa fedendo estrume e blasfemando contra o autor da façanha.
     Não satisfeitos, quando estavam saindo do baile sem pegar nada, ao desamarrar os cavalos, notaram uma bença: uma bela caixa de abelhas dando sopa. Um deles levou os cavalos enquanto o outro sutilmente quebrou a caixa próximo ao salão de baile. As abelhas raivosas saíram da caixa e voaram reto para a fonte de luz, que por coincidência vinha de dentro do salão. Nem preciso dizer que a festa acabou por ali... no outro dia antes da missa era todo mundo comentando do fim inesperado do baile, e o parente e o amigo fazendo cara de espanto. Ah se a moda pega hein!
     Pra não alongar muito o post deixo a história do desbravador de Caxambu para outra hora. Mas uma coisa é certa: entra ano sai ano, vai uma geração e vem outra, o esplendor da juventude é um só. É nesse momento que, mantida uma mente saudável fora de coisas nada canalhas (droga, atos ilícitos, etc), um bom canalha deve aproveitar sua vida! Se ela esta passando e você não está aproveitando como gostaria, reveja seus conceitos e... bem vindo a canalhice!

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vamos a la Praia!

     Nada melhor do que no inverno, escrever sobre uma peripécia ocorrida no verão. Sabe aquela propaganda que o narrador fala: "o que você vai contar para os seus netos?". Pois é, essa passagem que contarei é uma boa pedida para falar para os futuros barrigudinhos que ainda nem nasceram. O fato é que é melhor escrever e documentar, antes que o Alzheimer domine e mente e acabe impossibilitando de relatar a proeza.
      O fato é que a uns dois anos atrás cinco valentes canalhas rumaram ao litoral catarinense e na pior das hipóteses, obtiveram boas histórias a serem contadas. Momentos que como diz outra propaganda, "não tem preço", desde uma parceria sem prescendentes, até uma jornada por caminhos desconhecidos em terras longínquas...

     Numa bela tarde de sábado um dos canalhas iniciou uma conspiração: "que merda piazada, nós somos uns froxo mesmo, nunca reunimos a turma pra fazer alguma coisa". Outro no embalo: "É mesmo, todo mundo faz viagens e se organiza e nós com 20 anos nas costas e nada!". Nesse momento o ego de um dos rapazes ficou profundamente ferido, e este exclamou: "então vamo pra praia na virada de ano!". Nesse momento os que presenciaram este aglomero sentiram-se compromissados a aceitar, e independente da condição financeira ou estado civil, assinaram um "vo froxo" em tempo que essa gíria nem existia.


     Na semana que se seguiu, o canalha autor da idéia tratou de arrumar um AP de um conhecido bem como dispôs uma bela viatura para a jornada: um possante vectra 2.2 completo, com até churrasqueira incluída (menos, menos). Como cinco canalhas se prontificaram a viajar, era o carro ideal. Tirando outros pormenores, o fato que a viagem foi marcada e não teria mais volta. Contagem regressiva para a partida, tudo certo, até que na véspera: "é piazada, o vectra já era, o que temos disponível é um poderoso Corsa Wind 1.0 me empurre na subida". Mas vocês acham que isso é notícia ruim para um canalha embalado? Em poucos minutos resolvemos a situação. Um iria de ônibus (esse que vos escreve) e depois pra voltar damos um jeito (porque voltar também).


      E lá foram os canalhas a la praia. AP legal, uma quadra do mar, e cinco dias de parceria total. Contas perfeitamente divididas, assim como tarefas domésticas, enfim, logística perfeita. Graças a isso os canalhas podiam amanhecer tomando trago, emendar com um saboroso churrasco vendo o dia nascer, fingir uma dormidota e, à tarde, migrar para a praia com um isopor forrado de geladas, que bença! Na noite era engraçado. Os cinco cidadãos amontoados dentro do corsa conhecendo a noite litorânea. Mas ela também ia junto, a nobre amiga caixa de isopor, sempre transbordando de geladas. E assim os dias não passaram, voaram, com histórias marcantes que tem que ser relatadas em outros posts, pra não deixar esse muito longo (a chegada do quinto elemento na rodoviária, os delírios do canalhinha bêbado, a noitada na balada, o apartamento mal cheiroso, e por aí afora).


      Como tudo que é bom dura pouco, era hora de voltar. Um dos canalhas resolveu retornar de ônibus, até porque o coitado do corsa já tava surrado que nem mulher de malandro. E os outros, bem, que trajeto. Pessoas normais levam entre 5 e 8 horas para fazer o percurso. Mas um dos canalhas anseiava por conhecer a tal da serra do rio do rastro. Tudo bem, alongaria a viagem em algumas horas. O problema é que por um erro do canalha do Google Maps, acabamos entrando por rotas alternativas, sendo apresentados a caminhos um tanto quanto tortuosos. Chegou um momento do percurso que até o asfalto acabou. Um silêncio brutal dentro do auto. Quase cinco horas de viagem e estávamos praticamente no mesmo lugar, se bobear, até mais longe. Vacas na estrada. Um atoleiro. Poxa vida, aonde estamos?


      Completamente perdidos, pelo menos um alento. Conhecemos a tal da serra do corvo branco (acho que é isso). Que lugar massa pra caraio, vale a visita. Continuando o percurso, silêncio ensurdecedor. O corsa andava a 80km/h na estrada de chão, e derepente a estrada foi ficando arenosa. Estávamos próximos ao litoral. Que paiaçada! No fim das contas chegamos a tal serra, e como que por uma peça pregada pelo destino, a serração não deixou vermos nada de interessante, apenas tediosas curvas. Legal que saímos da praia as seis horas da matina, e chegamos em Chapecó por volta de duas horas da manhã, totalizando 20 horas (isso mesmo, VINTE HORAS) de um retorno que ficou pra história (inclusive com leitura de uma revista de quadrinhos bobagentos para alegrar o pessoal: então Josimar com seu membro viril e rígido como uma rocha...)!


      Quantos acontecimentos, que dias inesquecíveis. É amigos, esse tipo de coisa só acontecem com canalhas que realmente dão valor a algo mais que uma parceria, uma verdadeira amizade!

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Recrutando a Boiada!

     Fim de semana, grandiosa feijoada com o pessoal do trabalho, um barrilzote de chopp na faixa, e depois de alguns copos a mais o pessoal já começa a contar seus causos de valentia. E um desses casos contados por um nobre canalha mais velho, aqui entitulado Canalha das Antiga me fez dar risada e pensar no tema desse post.
     O legal é que o Canalha das Antiga, a cada vez que eu passo o report dos fatos do fim de semana, para, pensa, e diz: "pia, pia, eu olho pra ti me contando essas história e lembro das minhas de uns tempos atrás". E nesse momento puxa uma que me faz dar umas boas gargalhadas. Mudam os personagens mas a canalhice perdura...



     Mas enfim, a história que ele me contou: Era solteiro, tinha bem mais cabelo, e como fazia faculdade longe de casa morava em uma república com alguns amigos. Nos prédios vizinhos também moravam outros colegas, e como o cara está longe da família, acaba se apegando nos amigos e cria um forte laço de amizade. Aí o Canalha das Antiga acabava seu dia, e retornava tranquilamente para sua casa. Entrava, tomava banho, colocava uma fatiota de primeira linha e se preparava para o melhor momento do dia. Descer até o térreo onde havia um estabelecimento comercial de comércio de secos e molhados (bodega), entitulado Bar do Alemão. Em frente ao prédio havia um colégio. Sim meus amigos, isso mesmo, Bar + Colégio = Cerveja + Meninas.
     Mas antes de descer e fazer a avaliação das jovens que com muito esforço carregavam seus cadernos, um problema: como reunir os amigos para formar o juri? Porque como bem sabemos não tem graça nenhuma ficar olhando as tchutchuca se não tem um amigo por perto pra compartilhar a opinião. Como na época não havia o aparato tecnológico de comunicação da atualidade, Canalha das Antiga tinha sua marca registrada: saia na sacada levando consigo seu berrante (isso mesmo, aquele negócio que os peões usam para tocar a boiada), e permanecia por vários minutos tocando o mesmo para toda a vizinhança ouvir. Era o "sinal de fumaça" que a piazada já conhecia: hora de ir para a bodega!
      Nesse momento a gurizada começava a sapatear dentro de casa. Aos poucos abandonavam os cadernos, interrompiam a janta, paravam seja lá o que estivessem fazendo e em questão de minutos lá estavam todos reunidos no bar do alemão, analisando as belas alunas enquanto jogavam sinuca e dígustavam dúzias e dúzias de ovos de codorna, acompanhados da tradicional gelada com sabor especial de boteco.
     É claro que hoje em dia nenhum canalha carrega um berrante a tira colo (pelo menos eu acho que não), mas é só ouvir a apareige celular tocar ou a janelinha do MSN dar um estalo que o efeito "vo froxo pra boemia" se manifesta. E em questão de minutos qualquer atividade é interrompida pela súbita imagem de ficar no ócio tomando cerveja e olhando a movimentação do pessoal. E olhar pra movimentação afim de avaliar as beldades, só mesmo com outro canalha por perto pra poder compartilhar sua opinião. Fato!

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Os Canalhas Valentões

    Certa feita em uma noite fria de inverno, dessas onde minhoca vira espeto, dois canalhas aqui referidos pelos pseudônimos Bradock e Rambo decidiram sair para curtir a noite. Na verdade curtir não sei o que, visto que o frio era de matar, o nevoeiro na cidade lembrava filme de terror e pessoas fora de casa parecia uma espécie em extinção. Mas com a cara e a coragem, os dois canalhas migraram rumo a noitada.

ATENÇÃO: Este POST contém relatos de violência explícita!



      Começo de noite, apesar do frio Bradock estava muito empolgado, afinal, fazia tempo que não saia na parceria. Por ele o que viesse era lucro! Com Rambo a história era mais ou menos parecida. Objetivo inicial da noite: conhecer belas jovens. Com 5% de embriaguez, era fato que o ar quente do veículo não bastava para esquentar o corpo. Aliada a isso era a decepção em ver a cidade em um breu amedrontador, recoberto com nevoeiro e um vento que uivava. Idéia canalha: "ei Rambo, o que acha de pararmos ali naquela bodega e calibrar uma dose pra esquentar?" - sugeriu Bradock. Sem pestanejar, Rambo estacionou o carro e rumou ao balcão.


    Três ou quatro doses de algo parecido com velho barreiro depois, o nível de embriaguez já havia subido tranquilamente para 50%. Nesse momento Rambo sugeriu que fossem dar uma olhada em um baile na Efapi, visto que mesmo no frio o baile prometia. Bradock aceitou ao natural, dando o último gole no seu trago. E lá se foram os canalhas, levando mais duas long necks a tira colo. No caminho a conspiração começou: "se não tiver muita mulher lá, pelo menos uma briga nós arrumamos!" - desabafou Bradock.


    Na portaria o garrancho já começou. Rambo ficou mais de 20 minutos pedindo desconto no seu ingresso. E diga-se de pasagem era um fabuloso desconto de cinco reais, o qual conseguiu citando até as leis do código estudantil para uma senhora que não devia ter mais que a quarta série forte. Dentro do baile não estava lá grande coisa e, pra variar, o frio ainda prevalecia. Algumas rodadas depois os canalhas já atingiam grau alcóolico de 80%, e nada de jovens no horizonte. As poucas tentativas foram abortadas pelas palavras afogadas em meio a tanto álcool. Fim de noite, embriguez acima de 90%, sem jovens, sem briga... hora de ir pra casa, a noite acabou, ou será que não?


    As vezes um fim de noite vale mais que tudo, já dizia um canalha em suas reflexões de bêbado. Bradock e Rambo estavam retornano e, ao passarem pelo ponto de ônibus, avistaram 3 jovens e um inocente rapaz. Mais que sem pressa Rambo parou o carro e Bradock implementou: "oh meninas, tudo bem, tão friu aí fora, vamos conosco!". A empatia das meninas foi instantânea, e quando estavam praticamente entrando no carro o rapaz gritou: "meninas, se vocês forem com eles vou contar tudo pro tio". Isso foi como um balde de água fria nas jovens. Educadamente abortaram o que seria uma noite feliz para os canalhas! Nesse momento a "lotação" se aproximou e eles tiveram que seguir seu caminho. Mais uma vez falharam, ou será que não?


     Acompanhando o embarque das jovens pelo retrovisor, uma grata constatação: o "primo empata brique" não entrou na "lotação" e seguiu sua jornada a pé. Para Bradock isso foi uma benção: "vamo caga a pau esso loco! Pare aí, vamo pega umas pedra!". Rambo mais friu e calculista resolveu fazer a volta em silêncio para não ouriçar a vítima. Alguns metros atrás, aí sim, pararam e ajuntaram duas pedras, se dirigindo meticulosamente em direção ao alvo. Tomados pela embriaguez (> 99%) e por um pouco de adrenalina, pararam o carro a alguns metros do infeliz e Bradock saiu, com um salto que misturou balé e Atletismo: ao mesmo tempo em que atirou a pedra já se preparou para o Round House Kick. Ao mesmo tempo Rambo se enrolava todo com a maçaneta que teimava em não abrir.


     Alguns segundos depois, enquanto Bradock já tramava uma luta corporal severa contra o pobre coitado, Rambo chegou de sola, acabando com qualquer possibilidade de reação do cidadão. Resumindo, o pobre apanhou que nem cavalo emprestado. Alguns segundos depois, em um ato de pura valentia, conseguiu se levantar e sair correndo, indo se refugiar em uma guarita que ficava a uns 50 metros do local da tocaia. Rasgando o bico de tanto dar risada, os canalhas entraram tranquilamente no carro e seguiram viajem. Esquecendo do frio, pararam no posto que ficava no caminho e tomaram prazeirosamente a saideira.


    Segundos antes de irem embora, Rambo olha para trás e exclama: "cara, o primão tá vindo sozinho de novo!". Por incrível que pareça o cara achou que os canalhas tinham sumido, e continuava sua caminhada tranquilo como chapéuzinho vermelho, mesmo estando mais surrado que chinelo de gordo. Bradock e Rambo já faziam planos para o segundo round, quando o rapaz teve a felicidade de avistar o veículo que havia lhe dado tantas alegrias... deu meia volta e correu como uma gazela. Os canalhas entraram tranquilamente no carro e, antes de ir embora, passaram em frente a guarita buzinando e dando tchauzinho para o primão! Dizem as más línguas que mesmo com o friu, Rambo chegou em casa e até tomou um banho friu, tamanha a empolgação.


    É amigo, pense duas vezes antes de estragar o brique dos outros, ainda mais se esses forem uns canalhas!

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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Histórico da Família Socanelas

Vou escrever sobre a árvore genealógica dos integrantes da família Socanelas. A família Socanelas vem de uma tradição secular, e há muito tempo ganha notoriedade por fatos épicos que presencia no sul do universo. Vejam abaixo:

Indícios históricos relatam que originalmente os integrantes da família Socanelas monopolizam as cavernas da pré-história, lotando as mesmas com mulheres que foram "pauleadas" por seus integrantes. Enquanto membros de outros clãs saiam para caçar, o então denominado clã socanelas-erectus era responsável por aquecer as fêmeas no intuito de garantir a reprodução do bando.


Na Grécia antiga, que levou o título de "Berço da Civilização" justamente pelo fato de ancestrais dos Socanelas estarem presentes, estes não eram famosos apenas pela inteligência. Deusas gregas costumavam falar frequentemente no oráculo Socanelas. Que o digam Afrodite, Eros e Febe, a deusa da beleza. As mulheres que se encantavam pelos integrantes da família foram denominadas "ninfas", que dá origem ao termo "ninfetas", recorrente nos dias atuais.

Séculos mais tarde foram os mais notórios eunucos no Egito antigo, que como bem sabemos eram escravos das rainhas, prestando favores dos mais diversos tipos, inclusive garantir a satisfação e prazer das mesmas. Cleópatra que o diga!

Capturados foram levados pelo império romano. Enquanto os homens se divertiam vendo as sangrentas batalhas dos gladiadores, as mulheres se divertiam no "Colismeu", um local de batalhas um pouco mais divertidas entre os Socanelas, únicos integrantes masculinos, e mais de 120 mil esposas dos espectadores do Coliseu, que achavam que as mesmas estavam em casa. Todos os relatos sobre o "Colismeu" foram queimados e saqueados por árabes. O mais notório membro da família foi Calígula, que chegou a se tornar imperador, tendo como foco do seu governo organizar festinhas digamos assim, divertidas.

Na Arábia alguns fugitivos da família organizaram o que hoje conhecemos por Spa's, mas que na época foram denominados Haréns. Isso deixou muitos integrantes da família milionários. O conto "As mil e uma noites" foi adaptado, mas originalmente era um relato da festa que durou o maior tempo de todas no Harém Socanelas. O número de mulheres era incálculavel. O termo miragem surgiu quando nômades no deserto encontravam essa festa.

No decorrer dos anos espalharam-se por toda a europa, sendo os principais responsáveis pela necessidade da invenção do cinto de castidade, porém nenhum se mostrou efetivo de fato. Durante esse período um dos membros ganhou grande notoriedade, e sua fama se espalhou pelos quatro cantos do mapa. Ainda hoje vemos livros, e até mesmo filmes que relatam da vida de Don Juan Socanelas.

Mais tarde, já na idade moderna, a família Socanelas continuou a ganhar destaque. Nos Estados Unidos era dona dos maiores Saloons do velho oeste, unindo bebida, jogatina, Can-can e mulheres em um só lugar a fim de divertir os mineradores sedentos pela caça de ouro no velho oeste. Ao mesmo tempo, no oriente, desbravadores da família foram quem realmente descobriram, literalmente, as Índias.

Contrariando o velho mito que japoneses tinham o membro pequeno, parentes distantes dos Socanelas no Japão foram responsáveis por espalhar a fama que as artistas de lá, ou Gueixas, costumavam deitarem-se com seus clientes. Isso porque em todos os shows dessas Gueixas integrantes da família Socanelas acabavam encantando essas mulheres, que não resistiam aos seus encantos.

No Brasil os integrantes da família Socanelas desembarcaram junto com os primeiros portugueses, levando de antemão inúmeros espelhos e demais acessórios para presentear as nativas da até então terra desconhecida. O nome da madeira mais popular daquela época, hoje quase extinta, foi uma homenagem à família Socanelas.

Um dos ancestrais mais notórios da família tinha origem italiana, o popular e respeitado Dom Ticadore. Devido a sua fama pelas bandas do sul, pessoas dos vilarejos próximos, e posteriormente de todo o sul do Brasil conheceram a lenda do "Ticador do Alegrete". Não existe nada documentado, mas quem conheceu garante que Dom Ticadore chegou facilmente nos 5 dígitos de senhoras. Registrados, foram 18 casamentos, 84 filhos, 117 pedidos de teste de paternidade (que na época era feito por comparação visual) e 564 queixas na delegacia por conflitos em bodegas e bailes das redondezas. Arrastando sua espada no chão, era ele quem ordenava o início e o fim dos bailes, geralmente decretado, ou quando o fole da gaita rasgava, ou quando a última dama concedia-lhe pelo menos uma dança, mas sempre passava disso. No primeiro caso o gaitero era punido, tendo que levar a gaita nas costas por diversos quilômetros (dai a expressão "cortado de alsa de gaita"). No segundo, Dom Ticadore causava clara inveja nos namorados e maridos das senhoras do baile. Era lenda, vindo a ser chamado também de "Lobisomem do Arvoredo" em uma famosa composição da música gaúcha.

Mais recentemente temos alguns dos membros atuais dos Socanelas concentrados na região de Chapecó - SC, e a saga familiar continua, e tende a perdurar por diversos séculos, visto que pesquisas recentes indicam o nascimento de 7 meninas para cada menino. Alguns tem ramificações na família Pegadore, outros na família Ticadore, e inúmeras outras denominações. Todos são netos do véio Comerino, bisnetos do véio Comedorino, tataranetos do véio Comerindo e não sei o que netos do véio Comerseindo.

De maneira geral, omitindo detalhes picantes da história que com certeza você gostaria de saber, esta é a história da dinastia Socanelas. Maiores informações converse pessoalmente com os integrantes.

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